quinta-feira, 29 de novembro de 2007

imagem capturada no Google
no site acordes.blogs.sapo.pt/arquivo/Child.gif


Uma voz. Existe sim uma voz que se desmancha por todos os sentidos nesta noite bizarra de luzes. Como em muitas outras situações anteriores rasga assim um pedaço da garganta de alguém que insiste. Que zomba das tardes de silêncio. Essa voz imensa que pára diante do semáforo indeciso. E arde na rua com a imprecisão de um raspão no rosto. Como um corte no ligamento do antebraço. Fina faca de desossar. De barulhos. De verdades que rasgam os tecidos das burcas. De idéias geniais. A voz que se põe diante do jogo. De damas. E o sussurro diante do absurdo. Inerte absurdo. E ecoa um pouco além daqui. Ainda que para ninguém ou para o semáforo surdo. Insiste ainda. Qual voz que reste.
(2006 - incluída no projeto do CD com Bruno Morais)

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Um tempo



O sumiço do blog foi resultado de um mergulho numa fase de trabalho insana.
Fechamento de semestre, planejamento dos projetos para o próximo ano, organizações de pendências pessoais. E muita novidade vem por aí. Logo no começo de 2008.


Escrever às aranhas, às moscas. Gritar nos ouvidos das paredes circulares os sentidos mais escusos. Esquecer teus olhos. Dobrar as esquinas das lembranças com pacientes passos de desagrado. Observar a simetria dos círculos. Dobrar dedos, assumir avessos, detectar misérias. Recompor teus gestos: sentada na cama à meia noite de um dia qualquer . Melimetrar desejos, impacientando as flores neste vaso, falso jardim. Depois devolver as efígies que impregnam de passado o teu quarto e me doem na retina do olho esquerdo. O estrábico. O esquisito olho que não olha.

( Calidoscópio, 1995)
- Imagem de Peterson Ruiz - capturada no Google