sábado, 26 de abril de 2008

Leminski by Neuza Pinheiro


Neuza Pinheiro é uma poeta de primeira. E tem um trabalho sempre muito incisivo e, ao mesmo tempo, delicado. Na próxima semana ela vai mostrar ao público paulista seu novo trabalho. Os poemas do mestre Leminski são a matéria prima de seu novo show. Quem estiver em São Paulo deve conferir esta produção da Neuzinha.


"Profissão de Febre"Show

com Neuza Pinheiro


Sesc Pompéia- São Paulo
Projeto NOITES SUJAS
Dia 1(19hs.) e 2 de maio(20 hs)
* Foto capturada no google imagens - itamar assumpção e neuza pinheiro

domingo, 13 de abril de 2008

O tempo não pára

Nos idos da década de 80, Cazuza, com seu Barão Vermelho, não paráva de tocar nas nossas festas. Tudo o que escrevia e cantava nos fazia muito sentido. Fazia parte da inquietação da minha geração. Anos depois, muitas letras ainda fazem muito sentido. Até muito mais sentido. E, às vezes, a única saída é pedir piedade.


Blues da Piedade
(Roberto Frejat/Cazuza)

Agora eu vou cantar pros miseráveis
Que vagam pelo mundo derrotados
Pra essas sementes mal plantadas
Que já nascem com cara de abortadas
Pras pessoas de alma bem pequena
Remoendo pequenos problemas
Querendo sempre aquilo que não têm
Pra quem vê a luz
Mas não ilumina suas minicertezas
Vive contando dinheiro
E não muda quando é lua cheia
Pra quem não sabe amar
Fica esperando
Alguém que caiba no seu sonho
Como varizes que vão aumentando
Como insetos em volta da lâmpada
Vamos pedir piedadeSenhor, piedade
Pra essa gente careta e covarde
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Lhes dê grandeza e um pouco de coragem
Quero cantar só para as pessoas fracas
Que tão no mundo e perderam a viagem
Quero cantar o blues
Com o pastor e o bumbo na praça
Vamos pedir piedade
Pois há um incêndio sob a chuva ralaS
omos iguais em desgraça
Vamos cantar o blues da piedade
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Pra essa gente careta e covarde
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Lhes dê grandeza e um pouco de coragem

domingo, 6 de abril de 2008

Homenagem a alguns

Rene Magritte capturado no Google Images

Quantos falsos
Palavras de pilhéria
Suspiros de lado com palavras-disparates

Quantos falsos
Adulações adocicadas
Protestos ma non troppo
Frases que contém desastres

Quantos falsos
Que gritam corretas atitudes
Que mastigam a sua própria arrogância
E cospem uma fragilidade fake

Quantos falsos
Parecendo vidros transparentes
Com rótulos de instruções serenas
Que espreitam pela queda
O deslize
O tropeço

Quantos falsos
E vão estender a mão
A outra escondida em figas
O sorriso do gato de Alice
Do alto do mais nobre falsete



(abril/2008)

sábado, 5 de abril de 2008

lembranças/memórias



Em cima da mesa do escritório guardo lembranças. Papéis do dia a dia são inúteis porque representam apenas a burocracia da vida. Mas, há inúmeros objetos que abafam a inutilidade do restante das coisas. O moinho de vento com neve incrustado numa bola de vidro que ganhei da Débora em Amsterdã. A jaguatirica em cerâmica que o Avelar me trouxe do Amazonas. O pequeno pote de vidro azul com uma vela branca dentro, presente de minha irmã Miriam. O peso de papéis de vidro com um peixe e carangueijo cristalizados que a mãe da Fernanda me deu. O elefante de cera da Cris. A miniatura de uma mesa de passar roupa, que traduz a minha sistemática em relação às roupas, uma brincadeira da turma do curso Abril de Jornalismo no início da década de 90. O pequenino sofá azul claro e amarelo com um casal de gatos folgadamente sentados que a Fátima em trouxe no último aniversário. O jardim japonês que me acalma, uma presença da Fernanda. A foto de minha mãe no porta retrato de vidro. E o elemento mais significativo: a pequena cadeira do estalajadeiro, de palha, imponente, um belo presente do grupo Noisette.