sábado, 26 de julho de 2008

Prateleira

Foto de Alba Luna - site Olhares

"Os anjos de Swedenborg são as almas que escolheram o céu. Podem prescindir de palavras; basta que um anjo pense em outro para tê-lo junto de si. Duas pessoas que se amaram na Terra formam um só anjo. Seu mundo é governado pelo amor; cada anjo é um céu. Sua forma é a de um ser humano perfeito; a do céu também é. "

os anjos de swedenborg - d' "o livro dos seres imaginários" de jorge luis borges
(presente do meu amigo jornalista Luciano Pascoal)


terça-feira, 15 de julho de 2008

Novidades 2

René Magritte - Le modele rouge / capturada no google images


Ignorância

Com um punhado
De nãos
Você construiu
Um castelo
Para se enclausurar

Diante do fosso e do portão
A conclusão
De que
Nunca
Vou entrar

A sua impaciência
A sua intolerância
A sua negligência
Só vão lhe destruir

A um passo da indecência
A sua impertinência
Vai fazer o que
Construiu,
Ruir

Daqui deste lado
O meu samba dilacerado
Só lamenta,
Olha
E ri

(2007)

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Caixa de memória

Recortes

Eu vi muitos dias de tempestade. Ventos que dobravam árvores. Um pouco desta violência dos ventos também fazia dobrarem-se árvores dentro de mim.
Quando cheguei naquela cidade, mala na mão, andando atrás do marido, quase chorei. A casa ficava praticamente onde acabava o que chamavam de cidade. Depois só café mato e árvores que se perdiam de vista na baixada.
As pessoas me olhavam com desconfiança. Uma moça nova, eu tinha apenas 20 anos, perdida naquele lugar com um homem que eu mal conhecia. O tempo era depois da guerra. A maioria das pessoas ainda olhavam com suspeita os alemães e italianos que moravam ali.
Corria `a boca pequena na família que meu cunhado guardava bem escondido um grande quadro de Mussolini. A minha história poderia ser de muitas outras daquela época. Mas eu a confesso aqui neste diário porque é eminentemente minha. Como aquele álbum de couro no qual guardo as fotos presas com cantoneiras bordôs de papel.

Trecho de Caixa de Memória - work in progress (2008)

terça-feira, 8 de julho de 2008

Novidades

Saídas


Não tem mais nada
Em cima da mesa
As cartas
Viraram cinzas
As letras
Perdidas
Em algum lugar
Da casa
Palavras desencontradas

Tudo se foi
Apenas a cadeira
Permanece ali
Navegando no mar
Do assoalho escuro
Os dois gatos
Na poltrona azul
Os seus olhos
No porta retrato de vidro

Tudo apenas
Um desenho mental
Que refaço
No assoalho de madeira
Perto da porta de saída

(2008)