quinta-feira, 29 de julho de 2010

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    Dia Difícil





Dia difícil.

É necessário fazer o degelo de pensamentos congelados.

Há anos disfarço a intensa lucidez com as tarefas do dia a dia.

O gelo espoca no copo de uísque.

Meu corpo  se acostumou com este ritual

e o marulho do líquido descendo pelo organismo

é um indício de coragem.

Há anos, abandonei o vício

de fazer aquilo que não quero.

Os fantasmas saíram trotando,

mas há indeléveis marcas desta cavalgada de fuga

- patas, rastros, ferraduras - .

Agora, toda manhã,

consigo estalar os dedos

e me sentir


mais viva.


Disponível em:

terça-feira, 27 de julho de 2010

poeta música poeta

A Janete El Haouli promoveu uma troca muito feliz entre o meu cd "A Mulher das Palavras" e o "Do Lado da Voz" do compositor paranaense, radicado na Alemanha, Chico Melo. Conhecia e admirava o trabalho de Melo, o qual eu conhecia esparsamente através da internet e, mais recentemente, via o myspace dele. Mas, especialmente neste novo trabalho ele nos surpreende cantando canções e nos envolvendo com sua bela voz. Lindo presente. Obrigada, Janete! Obrigada, Chico! Já na primeira música uma bela letra de Carlos Careqa, outro paranaense genial. Na música "Achado" Careqa diz e Chico canta "tem tanto medo na minha coragem". Olha só, que genial!


Achado


Me sinto tão leve quando estou pesado
E me sinto tão achado quando estou perdido
Ah! Machado, quem te ensinou a escrever

Me sinto tão sadio quando estou doente
E tão honesto eu me sinto quando me corrompo
Que charuto, tenho eu pra fumar?

Me sinto tão burro quando estou tão sábio
E me sinto só, quando beijo lábios
Quem vai querer explicar a dor

Me sinto tão cedo mas ainda é tarde
Tem tanto medo na minha coragem
Ah! Olhos negros, que te falou pra olhar!

segunda-feira, 26 de julho de 2010

terça-feira, 20 de julho de 2010

A Mulher das Palavras na Cronópios

A revista digital de literatura contemporânea Cronópios publicou material especial sobre o CD de poesia "A Mulher das Palavras".
Confira no Portal Cronópios


Foto de Natália Lima Castro

domingo, 18 de julho de 2010

hoje acordei sustenido

Discreto

Música: Chico César
Letra: Alice Ruiz

até que foi bem discreto
deixando, ao partir, intenso
muito do seu segredo
nem chegou a tempestade,
esses excessos do vento
foi um corte pequeno
nem dor a mais, nem de menos
foi porque tinha que ir
foi porque tinha que ser
mas está aí a cicatriz
que não deixa mais mentir
se foi ou não foi feliz

quinta-feira, 15 de julho de 2010

terça-feira, 13 de julho de 2010

pelas ruas


Lullaby

Os dentes afiados da moto-serra perfuram os ouvidos às oito horas da manhã denunciando a sanha irracional do vizinho. E parte em pedaços os braços espalhados da jaqueira e da santa bárbara e da peroba cinqüentenária e dos flamboyants senhores de si. Um cheiro de seiva/sangue espalha-se pelos ares dos arredores. Quarteirões de madeiras se empilham numa variação entre o marrom o cinza a cor de carne de árvore. Os passarinhos já se mudaram para cá. O vizinho quer limpar as folhas verdes quer varrer qualquer vestígio. O vizinho está retirando as raízes limpando a área preparando a cova mas vai ser bem rasa.  Ali ele vai semear a sua ignorância.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

...

Um dia,
assim,
quem sabe,
me aposento.
Vendo tudo de
mais precioso,
rasgo as páginas
dos meus inventos.
E, talvez,
possa sair por aí
de chinelos
havaianas,
sem lenços e documentos,
sem identidade,
para ver tudo de novo
com olhos menos
obcecados,
nublados de vícios
de julgamentos,
tristezas.
Olhar novamente
com mais calma.
E, assim,
talvez,
tudo se torne
invisível,
transparente.

domingo, 4 de julho de 2010

O nosso poeta beat

E nos resta a sua voz e suas palavras.
Mente brilhante.
Poeta lâmina.
Referência.