domingo, 24 de outubro de 2010

No 4º Prêmio Internacional de Poesia em Vídeo da FLIPORTO

Votação até nesta segunda feira
25/10


A videomaker Marina Casagrande produziu um clipe para a música "Manhãs" do meu cd de poesia "A Mulher das Palavras"
O clipe está entre os dez finalistas do 4º Prêmio Internacional de Poesia em Vídeo da FLIPORTO, feira literária que acontece em Olinda, Pernambuco, este ano. 
As primeiras fases de seleção foram realizadas por um juri e agora é o voto popular que vai escolher os três primeiros colocados. 
Para acessar, assistir e votar clique em  



quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Expo prorrogada

E quem ainda não conferiu a exposição de fotografias "A Estalagem das Almas" 
de Fernanda Magalhães no Sesc Londrina, tem até o dia 22 (sexta-feira).


sábado, 16 de outubro de 2010

a dica de hoje


Sábado chuvoso. Daqueles para ficar em casa lendo.
Uma boa leitura na internet para o dia de hoje é o blog do escritor Jorge Cardoso 
que escreveu o belíssimo livro "Um cavalo no cemitério de Deus". Confiram os textos que são ótimos:

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Exposição no Sesc Londrina

 
 
 
 Até 15/10 (sexta-feira)
 
 
Exposição fotográfica "A Estalagem das Almas" 
de Fernanda Magalhães
Local:Sesc Londrina (hall do auditório do subsolo) 
- Rua Fernando de Noronha,264
Horário: 9h `as 19h

sábado, 9 de outubro de 2010

Um conto antigo


12 X 8

            
Ninguém viu. Ela levantou-se e foi embora. Pisando duro e tentando segurar a dor que vazava pelos lados, na altura da bacia,  andou uns tantos quarteirões quase que instintivamente. Eles a conheciam. Era ritual constante: chega senta estica o braço aparelho apertado mede a pressão. Das artérias. E o sangue corre tranquilo em suas veias. Mas, aqueles homens e mulheres de branco se espantaram. Às tantas horas que eram, aquela mulher só, a caminho. E foi assim, deste modo, que as vírgulas da frase compassaram. E a voz quase sem fôlego apenas disse : o médico. Correu em seguida para a primeira cadeira vazia. Canetas, papéis e algumas perguntinhas burocráticas imbecis. Ela entrou na pequena sala e quase tropeçou na cadeira de tão exíguo espaço.
Veio o tal. Perguntou o que era. O acontecido. Ela arrumou o cabelo prendendo melhor o coque. E contou num supetão só: eucaidotelhado. Palavras grudadas. Mais detalhes. : a televisão não tem muita definição por problemas da antena que já é velha e fica girando no telhado com perigo de cair na cabeça de qualquer um. Então, depois de pedir dois meses para o meu filho resolvi acabar com a questão. Levei uma caixa de ferramentas de meu marido, ele faleceu e me deixou a caixa. Fui subindo devagarinho pela escada e com cuidado cheguei ao topo da casa. É muito bonita a vista ali daquele lugar. O senhor sabe, acho que dá para ver até a cidade vizinha. Eu me lembro de lá, era só mato quando eu cheguei aqui. Diz que tinha até índio, mas eu, às vezes, duvido. Bom, então, eu estava contando né, eu fiquei lá em cima e vou confessar que tive um pouco de medo. Mas, logo eu que trepava em árvore desde menina pegava uns pêssegos no pé lá no quintal para a mãe fazer um suco cremoso. E daí eu comecei a tentar arrumar o estrago que uma chuva com vento tinha feito na antena. Um monte de hastes despregadas daquela parte maior do meio, sabe? Eu pensei que seria bom pregar e achei uns preguinhos  dentro da caixa de ferramentas do falecido. E comecei a bater os pregos e quase perdi o equilíbrio, mas a antena me segurou e fiquei meio pendurada. Dei uma mexidinha, a antena girou e consegui alcançar o meio do telhado e sentei. Comecei tudo de novo e não teve jeito. Perdi o equilíbrio de vez e fui deslizando pelo telhado. Claro, segurei o vestido porque, afinal, uma senhora de respeito como eu não ficava bem...O senhor sabe. E eu caí retinha na calçada. De joelhos dobrados. Aí começou a doer a bacia. Então, resolvi vir aqui. 
Fechei as aspas do relato daquela senhora à minha frente com um certo espanto. Ainda me pego fazendo toda a retrospectiva mental possível. Muitas vezes, em casa, a pia pingando água para desespero de meu bolso e é como se também pingassem pensamentos na minha cabeça. Relances do meu trabalho diário.
E eu confesso, meio desajeitado, que depois de anos de profissão fiquei atônito. É como se estivesse em frente ao primeiro cliente. Aquela vitalidade, aqueles olhos brilhantes desbancaram toda a teoria dos meus livros na estante.
Mas, peguei a caneta como se escrever me fizesse entender melhor. Altura da queda, anotei rapidamente no prontuário. Deve ser uns três metros, ela respondeu displicente. Levantei os olhos espantados e ela me olhou tranquila. Idade. Ah! Moço, eu sou muito velha, o senhor não me conhece direito porque está aqui há pouco tempo. Idade, insisti. 93. Talvez tivesse ouvido errado e, por isso, repeti em voz alta. Era verdade.
Saímos ali da sala, que mal dava para acomodar nossos pares de sapatos sem se chocarem a todo momento por baixo da mesa. Ela me seguiu quieta. Passamos pelos corredores com algumas macas, cruzamos o saguão em frente ao centro cirúrgico e entramos à direita. Sala de raio X. Mas, ela pediu se podia cumprimentar a moça do cafezinho. Assenti com a cabeça. E ela saiu como uma adolescente que vai encontrar os primeiros amigos.
Voltou quinze minutos depois acompanhada de duas enfermeiras. Parou na minha frente, mas não deixou de conversar com as duas. Todas as revistas de ponto cruz prefiro comprar ali naquele jornaleiro conhecido meu. São importadas. Mais caras, mas criativas. Coloquei a minha mão sobre seu ombro e disse suplicante – raio X.
Ela foi. Deitou sobre a caminha sem precisar dar maiores explicações. Radiografamos. Pedi para que esperasse no corredor. Não acreditei nos resultados e chamei o técnico. Havia algum engano, troca de exames, erro no nome da paciente. Não senhor, tudo certo me disse meio indignado.
Lá fora ela esperava sentadinha como um anjo. Voltamos para a sala exígua que teimavam em chamar de consultório. Ela estava um pouco tensa. Disse-lhe que não havia nada, mas precisava examinar a bacia. Esgueirando-se no estreito espaço entre a mesa e a maca de exames sentou-se e ficou à espera. Apalpei toda a região e constatei apenas pequenas dores. Testei reflexos. Muito bons. Medi a pressão. 12 por 8. Batimentos cardíacos. Excelentes. Pulmão. Ouvido. Garganta. Só faltou exame oftalmológico.
Três metros de altura e nenhum pêlo fora do lugar. A senhora tem certeza que caiu do telhado? É claro.  Como eu disse para o senhor eu fui fazer apenas um conserto na antena. Daí parou e encarou-me de frente. Sua mãe..., falou abrindo um sorriso. Paralisei, intrigado. Dona Vilma, não é mesmo? É, ela mesma. Moço, como você cresceu! Nem parece aquele menininho de perninha fina, magricelo que corria com meu filho mais novo no quintal de casa.
De repente busquei no porão da memória. Humberto. Um bom amigo. Engenheiro petroquímico, agora. Salário a peso de ouro. Viagens internacionais. Simpático...como a mãe. Nos encontramos recente num aeroporto. Eu ia para Uberaba. Ele, um vôo internacional.
Foi ele que não quis subir no telhado para arrumar a antena para a senhora? Não, este foi o mais velho. O Bertinho é um mimo só, menino santo. Ele até ficou preocupado quando liguei dizendo que estava com dores aqui embaixo nas costas. O que deu no exame, hein, doutor?
Nada. (Fui lacônico demais, eu acho). A senhora simplesmente não teve nada. Mas, eu realmente não consigo entender como.
Foi nosso senhor jesus cristinho. É, o senhor pensa o quê? Eu só ando protegida com uma medalhinha dele junto aqui ao coração. Afora isso, tem o anjo da guarda, né. E o meu cachorro, o Bentão, que cuida muito bem da casa. E eu acho que outra coisa também...
Mas, o que que o cachorro tem a ver com isso? A senhora... a senhora...Dona Irma, não é? A senhora não caiu em cima do cachorro, né? Não, disse ela dando uma gargalhada, nada disso, ele só cuida da casa para mim.
Bom, então vou dar algumas pomadinhas para a senhora passar aí nessa lugar que dói. Para evitar que fique roxo, sabe, e que a senhora force muito com movimentos bruscos e se torne algo mais sério. Tem também este remedinho para dor, qualquer coisa a senhora toma. Ah, sim, e meu telefone está neste cartão.
Ela se ajeitou no vestido e pegou a bolsa do chão. Olhou bem firme e deu um sorriso. Os olhos brilhavam. Estendi a mão e apertei suave a dela. Macia e quente. Ela virou-se de costas desviando da cadeira e abriu a porta. Quando achei que fosse embora voltou para trás. Ergui a cabeça desviando os olhos das anotações.
Tenho sete vidas como um gato, o senhor é muito novo e vai aprender com a vida. Há momentos que uma mão invisível nos acolhe. Eu sei que o senhor nunca vai acreditar, mas quem me segurou foram dois velhinhos que já bateram as botas há muito. Agora são meus anjos. Eles estão bem aqui ao meu lado olhando para o senhor e rindo. Só virei os olhos conferindo em volta. Ah! O senhor ainda não está na idade de ver.... Fechou a porta.
Depois de anos, ainda tenho dúvidas se vi mesmo uma mão enrugada pousar firme sobre o vestido. É, bem naquela região das nádegas. Aqueles anjos safados.
A senhora ainda mora por aqui. A mesma pressão de sempre: 12 por 8. Nenhum problema cardíaco, nenhuma alteração de saúde. Me manda flores constantemente e me chama de “meu doutorzinho”.
Não sei se por praga dela ou para testar a minha desconfiança nas coisas que não são deste mundo, às vezes, acordo à noite como se alguém se achegasse a mim na cama. Numa madrugada dessas, bêbado de sono, acordei e, não sei bem se sonhei, uma mão feminina acariciava os pêlos de meu peito. Deve ter sido ilusão. Ou um profundo estado de carência afetiva. Ou talvez alguém esteja mesmo guardando meus passos e sempre à espreita para quando eu cair do telhado.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

A Mulher das Palavras no myspace

O myspace do cd " A Mulher das Palavras " 
está com novidades no ar.
Fotos dos shows e também outras músicas 
disponíveis para ouvir.
Em novembro tem mais som e poesia ao vivo.

Confira!

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

D. Iva

Hoje é aniversário da minha mãe.
Tenho o privilégio de comemorar ao lado dela os 82 anos bem vividos.
Parabéns, mãe!

E Hoje também tem Ideias e Autores no Sesc Londrina.
Confira!

 

 
 
Ana Paula Maia, escritora, nasceu no Rio de janeiro. É autora dos romances O habitante das falhas subterrâneas (editora 7 letras / 2003), A guerra dos bastardos (editora Língua geral / 2007) e da novela Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos (editora Record / 2009). Participa de várias antologias, entre elas,
25 mulheres que estão fazendo a nova literatura brasileira / organização Luiz Rufatto (editora Record, 2004); Todas as guerras - Volume 1 (Tempos modernos) / Org. Nelson de Oliveira – (editora Bertrand Brasil, 2009); 90-00 - Cuentos brasileños contemporáneos / org. Nelson de Oliveira e Maria Alzira Brum – (Peru) - 2009
 
Paulo Sandrini nasceu em março de 1971, em Vera Cruz, São Paulo. Vive em Curitiba desde 1994. É Designer gráfico, mestre e doutorando em Estudos Literários [UFPR], autor de O estranho hábito de dormir em pé [2003], Códice d’incríveis objetos & histórias de lebensraum [2005], ambos de contos,     e Osculum obscenum [2008], novela. Participou das coletâneas Contos cruéis, as narrativas mais violentas da literatura brasileira contemporânea [2006], 15 cuentos brasileros/15 contos brasileiros [Argentina, 2007], 90-00 Cuentos brasileños contemporáneos [Peru, 2009] e Futuro Presente [2009]. Ministrante de oficinas de criação literária desde 2007. Editor da Kafka Edições. Mantém o blog paulosandrini.blogspot.com .
 
Autores & Ideias
O Futuro do Mercado Editorial
com Ana Paula Maia e Paulo Sandrini
6 de outubro
às 19h30
Sesc Londrina
Rua Fernando de Noronha, 264
fone 3378-7800 / 3378-7831 / 3378-7830

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Mais diálogos no Multigraphias



Eu não quero ter consciência.
Eu não quero confirmar nada.
Eu não quero exercer nada.
Eu não quero escolher nada.
Eu não quero debater nada.
Eu não quero esperar nada.
Eu não quero prometer nada.
Eu não quero acreditar em nada.
Eu não quero refletir sobre nada.
Eu não quero compactuar com nada.
Eu não quero “ver pra crer” nada.
Eu não quero crer em nada.
Eu não quero me apegar a nada.
Eu não quero apostar em nada.
Eu não quero satisfazer nada.
Eu não quero me enganar com nada.
Eu não quero vender nada.
Eu  não quero saber de nada.
Eu não quero prever nada.
Eu não quero contabilizar nada.
Eu não quero acompanhar nada.
Eu não quero assistir a nada.
Eu não quero me ligar em nada.
Eu não quero acordar pra nada.



Confira no link:


domingo, 3 de outubro de 2010

Homenagem a Paulo Ubiratan

O jornalista Paulo Ubiratan, que foi mestre de muitos de nós, faleceu na madrugada deste domingo. Ubiratan era um profissional combativo e apaixonado pelo que fazia. E também apaixonado pela cidade em que escolheu viver. Lembro-me do lançamento de seu livro de poemas "Nuances", em 2007, nas Livrarias Porto. Foi uma surpresa e uma satisfação me deparar com seu livro de poemas. Ali, ele se desnudava, mostrava sua ternura, a delicadeza que tinha com as palavras. Como homenagem, transcrevo aqui um dos poemas deste jornalista admirável.


TIBAGI


O rio vai para a morte
de pouco adianta os diamantes.
O rio vai para a morte bem devagar
sonhos ficam, sonhos vão.
De pouco adianta pegar suas águas
- elas passam por entre os dedos.
O rio vai para o morte
E, na sua passagem, em cada curva,
os ribeirinhos choram
porque o rio vai para morte.
O rio procura o cemitério dos rios
(alguém sabe onde fica?)
E nesta procura o rio vai morrendo,
bem devagar...
O Tibagi quer morrer igual um passarinho.

sábado, 2 de outubro de 2010

Na edição de fim de semana da Mutigraphias


oito horas.
manhã. frio. asfalto brilha e escorre com a chuva intensa. a cidade se movimenta com preguiça. gotas que o limpador de pára-brisa limpa. nunca mais voltar pra casa. meu coração partiu-se. a madrugada me culpou de muitas coisas: as cervejas a mais, os olhares de soslaio, os cigarros que nunca fumei. talvezum cafécomleiteumpãocommanteiganachapa. pra aplacar corações partidos.uma padaria qualquer, um boteco qualquer. pra recomeçar. recomeçar? ou talvez destruir tudo de uma vez. uma bomba de nêutron. lembra? uma bomba de creme. e pá pá pá, pá pá pá. um doce de arder a língua. e o ipod que não tem mais nenhuma música que não ouvi. segue. forward. as botas encharcadas avançam pela cidade. não, não vou desistir. mais um bar. sábado com a luz fosca. dia cinza. um fernet. e me lembro da tulipa. nem mais importa a chuva. umidade que se aninhou nos ossos. cria musgos como crosta que envolve as veias. verdevermelhoverdevemelhovredervlmhoerveedrevolhmomvrdveeelohmvvdm.
talvez um porre.outro fernet. mudar a trilha sonora. brian eno. britânico demais. você não vai mais comer os biscoitos finos que eu fabrico. umas azeitonas pra começar a manhã. o bolinho de bacalhau no jaime. tudo foi o fato de um sim e de um não. e a fila do banheiro estava grande, né? duas horas e meia de espera? dois anos a mais para esperar por um frêmito no coração. romântico demais? então, por um frio na espinha em determinado momento da noite. nem um arrepio passageiro na espinha. um trisco que fosse. um ui. mas, duas horas e meia na fila do banheiro?duas dúzias de cerveja.ah, vá.e tudo se tornou ao meu redor mais dúbio e atraente que você. em câmera lenta. slow motion. travelling lento. filme noir. duas horas e meia , talvez três horas e meia, dirigindo as cenas. meticulosamente.você vem por ali e encontra com ele no canto sentado com um ar de introspecção. isso, joga o cabelo pra trás, seu cabelo loiro pra trás. senta ali e pede para ele acender o cigarro. ah, mas o brian ajudou, vai? altos toques. a música ajudou nas cenas. até o momento que não suportei mais. e ai estava dirigindo o carro pelo asfalto lavado pela chuva da manhã. lesmolisas? lesmolisas nos morrilvos. ali, lesmolisas? ah, me dá essa garrafa de fernet!

*notas incidentais: “Hino dos Corações Partidos F.C.” (Bruno Morais/José Ricardo Passeti/Tomás Meirelles), Brian Eno, Tulipa Ruiz, Oswald de Andrade, “Jaguadarte” (Lewis Carroll/tradução de Augusto de Campos)