segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Poema para o dia de hoje




Apagar-me

Apagar-me
diluir-me
desmanchar-me
até que depois
de mim
de nós
de tudo
não reste mais
que o charme.

(Paulo Leminski)

domingo, 20 de fevereiro de 2011

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Silêncio - variações sobre o mesmo tema

eu preciso de silêncio
de um frio que sobe pelos pés
que entranha a umidade das folhas
depois do segundo dia de chuva

eu preciso do silêncio
pra ouvir a variedade dos trinados
de pássaros
do bosque aqui perto

eu preciso de silêncio
pra chorar as mágoas
de todas as partidas
de todas as mortes  dos últimos anos

eu preciso do silêncio
para me agachar e tapar os ouvidos
fechar os olhos para o barulho
que grita em mim

eu preciso de silêncio
para pensar na palavra certa
e escrever a frase correta
para que, pelo menos, você leia

eu preciso do silêncio
para dominar a raiva
para estancar a ira
para descobrir o ódio

eu preciso de silêncio
por querer calar a voz
para poder perder a voz
para que tudo se transforme
em menos
que um sussurro

eu preciso do silêncio
para pensar na chuva caindo sobre o meu corpo
para me inundar do nada
para me encharcar do absoluto nonsense

eu preciso de silêncio
porque os caminhos se bifurcam
e não quero tomar uma decisão

eu preciso do silêncio
porque meu pensamento grita aqui fora
com dedo em riste
na minha frente
impropérios

eu preciso de silêncio
e é preciso dar um fim no poema
para que não se enlouqueça
para que não se eternize o caos que está em mim.


domingo, 13 de fevereiro de 2011

Voltando pra casa

O blog está ativo novamente. De volta pra casa, para os projetos, escritos e trabalho.Com as fotos devidamente organizadas trarei aqui pra vocês as coisas dos lugares onde estive. Pra começar o ano definitivamente. Um belo poema, uma bela canção de uma parceria sensível e competente.

                                                                   
Boa Nova
(Bruno Morais / Rafael Fuca)
 
Você não sabe quanta coisa eu trouxe de lá
De onde você nunca vai estar
Um anel de mares
Uma multidão de flores
E uma estória nova pra você contar

Você não sabe quanta coisa eu trouxe de lá
De onde você não sonhou estar
Um anel de mares
Uma multidão de flores
E uma boa nova pra você cantar