quarta-feira, 23 de março de 2011

Dica pra quem está no Rio de Janeiro: Fernanda Magalhães faz performance aberta ao público

Fotógrafa participa de evento nacional de performance no Rio de Janeiro
Fernanda Magalhães está entre os 50 artistas convidados para festival que irá apresentar trabalhos em diversos formatos e debater a performance nas
artes visuais brasileira

         A fotógrafa londrinense e professora da UEL Fernanda Magalhães integra a programação do Festival Performance Arte Brasil, coordenado pela curadora carioca Daniela Labra, no Museu de Arte Moderna no Rio de Janeiro. A artista foi convidada para realizar seu trabalho “Corpo Re-Construção Ação Ritual Performance” no próximo dia 25 de março, sexta-feira, às 14h30, nos Pilotis do prédio do MAM-Rio. As pessoas interessadas poderão se inscrever na hora para participar da performance da artista.
         O evento, que acontece de 22 a 27 de março e tem entrada franca, enfatiza o trabalho de artistas que trabalham com o conceito de performance em diversos suportes a partir do ponto de vista das artes visuais. A programação inclui ações ao vivo, palestras, vídeos, filmes de artista e videoinstalações, reunindo  cerca de 50 artistas.
          “Conceitualmente, pode-se dizer que as atrações se dividem em dois núcleos: o Contemporâneo, que localiza artistas e pesquisadores com carreiras iniciadas há menos de quinze anos; e o Histórico, que discute artistas, obras e acontecimentos de referência cuja revisão crítica integra o projeto de construção de uma historiografia da performance arte nacional, ainda em formação”, explica Daniela Labra, curadora da mostra.
Além de debates e mostras organizadas por curadores brasileiros como o paranaense Paulo Reis que apresenta no evento uma recente mostra que inclui trabalhos de Fernanda Magalhães. Entre os artistas destacam-se ainda Yftah Peled, Margit Leisner, Alex Hamburger, Armando Queiroz, Franklin Cassaro e Marcus Vinícius.
         A performance “Corpo Re- Construção Ação Ritual Performance”, que ganhou destaque no livro homônimo da fotógrafa (http://www.fernandamagalhaes.com.br/) lançado no final do ano passado, consiste na proposta de produzir um trabalho interativo com o público que, através da oferta de partes do corpo de cada participante que são entintadas pela artista, constrói um novo corpo de forma fragmentada. A proposição é justamente colocar em debate a fragmentação do sujeito contemporâneo, suas identidades múltiplas, as angústias, as aproximações e os desafios de uma sociedade caracterizada essencialmente pela diversidade.
       Este trabalho de performance, segundo a artista,  nasceu das lembranças de sua infância com o pai, o jornalista Antonio Vilela de Magalhães e também de dois trabalhos desenvolvidos em 2002 - Impressões da Memória e A Expressão Fotográfica e os Cegos. Os desdobramentos desses trabalhos e de sua memória de infância resultaram na proposição, que traz alguns de seus trabalhos performáticos realizados com grupos diversos.
       “O projeto surgiu a partir da minha experiência com uma grave doença e da constatação que sempre precisamos do outro para nos reconstruir. E desta relação vital com o outro, os outros/outras surgiu o trabalho que é essencialmente um trabalho coletivo, com muitos coletivos já que a proposta acontece com grupos diversos”, revela Fernanda Magalhães.
         Este é o primeiro de uma série de eventos que a artista londrinense irá participar este ano. O cronograma inclui ainda uma exposição em maio dentro da programação do FotoRio e  uma mostra individual no evento FOTOGRAMA em Montevidéo, Uruguai, no mês de novembro.

 
Festival Performance Arte Brasil

Encontro nacional de artistas, curadores e pesquisadores da arte da performance e seus desdobramentos estéticos no campo das artes visuais no país. Ações ao vivo, palestras, vídeos, filmes de artista e videoinstalações, reunindo  cerca de 50 artistas que lidam com a prática performática. 22 - 27 março 2011, 12h às 20h. ENTRADA FRANCA.

domingo, 20 de março de 2011

A professora Fernanda Jiran é uma das referências mais importantes na minha formação como leitora e escritora. Tive a honra de tê-la como professora de literatura ao longo dos anos em que estudei no Colégio Estadual Vicente Rijo. Suas aulas, um verdadeiro colóquio sobre o assunto, eram instigantes, envolventes e nos faziam amar os livros. Tenho uma admiração infinita por esta mulher. Ela fazia parte de um grupo de professores de altíssima qualidade. Algumas professoras deste grupo eram Iriana, da disciplina de História, Tamar Martinelli e Lealis Guimarães, que nos conduziam pelas aulas de produção de texto, além da professora Guaraciaba, muito sistemática e rígida, mas que me fez entender muito sobre física. Aficcionadas por cinema - e lideradas por Fernanda Jiran, é claro, - mantinham um grupo semanal de discussão sobre a sétima arte. Um clube fechado, secreto. Tive a oportunidade de visitá-las num dia de reunião para fazer uma matéria. Mas, diante do aceite da condição de acompanhar apenas uma parte do encontro. Hoje me deparei com a matéria que destaca a paixão de Fernanda pelos livros. Seu largo sorriso, sua alegria estampada no jornal Folha de Londrina (http://www.folhaweb.com.br/?id_folha=2-1--2661-20110320). 
Aqui, portanto,  presto uma espécie de homenagem, uma forma de agradecimento pelo conhecimento que Fernanda Jiran, gentilmente, partilhou comigo e seus alunos ao longo de muitos anos. Abaixo a matéria publicada no jornal:
 
Gosto pela leitura se tornou a profissão de Fernanda Jiran
Gina Mardones 
 
Fernanda Giran, quando lecionava, presenteava com livros seus alunos: 'É preciso despertar o interesse dos pequenos'
 
O dia a dia de Fernanda Jiran sempre foi cercado de livros e conhecimento. O pai era um austríaco que incentivava a leitura entre as seis filhas. Ela se identificou tanto com o hábito quando criança que acabou se tornando professora de português e literatura. Em sua biblioteca Fernanda já chegou a ter quatro mil exemplares sobre os mais variados assuntos. ''Minha casa sempre foi cheia de livros'', lembra.

Há 13 anos, Fernanda começou a desenvolver alergia a poeira e papel e o médico recomendou que ela se desfizesse de parte de seu acervo. ''Não tive outra alternativa, doei coleções inteiras para o Colégio Vicente Rijo e para a Biblioteca Pública. Algumas coleções acabei vendendo para livrarias'', explica.

Contudo, mesmo com os problemas de saúde, Fernanda não conseguiu se desfazer de alguns exemplares. ''Tenho um carinho especial por alguns autores. A maioria dos meus livros são de música, cinema e história, essas são as áreas que gosto mais'', afirma.

Para ela o hábito da leitura precisa começar cedo e deve ser incentivado pelos pais. ''Tem que dar livro na mão da criança, despertar o interesse nos pequenos. Acredito que a leitura influencia na formação da personalidade porque abre o pensamento, faz crescer o mundo interior'', destaca. Fernanda lembra que quando lecionava costumava dar livros de presentes aos alunos.

O computador que tem em casa fica desligado, coberto por uma capa e não conseguiu cativar a professora aposentada. ''O livro a gente pega, tem cheiro de papel, a sensação das páginas nas pontas dos dedos, tem uma coisa especial. Essas tecnologias novas não tem graça, é tudo virtual, muito frio.''

Apesar da quantidade de livros que ainda possui, Fernanda garante que continua comprando mais. ''No final do ano comprei o último livro que saiu da Bette Davis. Tenho muito material sobre ela, é a minha patrona'', brinca. Atualmente Fernanda tem três programas sobre música erudita na Rádio UEL FM. Ela afirma que os livros são usados para fazer pesquisas e ajudam na montagem do programa. (M.A.)