Inéditos e Dispersos

Quarta-feira, 24 de Setembro de 2008


suposto hai kai de inverno


filete

finíssimo
de luz
bate sol na cama

Terça-feira, 23 de Setembro de 2008

Leminski, sempre!

O poeta Rodrigo Garcia Lopes postou em seu blog, na semana passada, um trecho de um debate em que o grande Paulo Leminski participou durante o colóquio "Os sentidos da paixão", coordenado na década de 90 pelo filósofo carioca Adauto Novaes. A citação me fez lembrar de outro trecho, publicado no livro de mesmo nome que saiu pela Companhia das Letras, do qual eu gosto muito. Aqui, as palavras do mestre:

" Se a espécie humana desaparecesse, e seres intergalácticos descobrissem a Terra, um dia, e dissessem: esquisito, viveram seres aqui, estranhos e tal, e eles pareciam ser afetados por uma coisa gozada chamada amor. E se esses seres extraterrenos quisessem reconstituir um quadro do que seja o amor eles teriam que recorrer aos poetas. Saber como o amor nasce, a primeira paixão, o amor `a primeira vista, a continuação da paixão, o fim da paixão, o fim do amor, isso eles teriam que ir buscar nos poetas, porque não existe nenhuma ciência, com toda a sua ambição totalitária, aquela ciência ocidental que nasceu em Órganon de Aristóteles, ela englobou todos os territórios, todo o real, todo o real, ele é um objeto do saber que cabe dentro de uma coisa que a gente chama de ciência, né?. O quadro das ciências. Ora, o amor não cabe dentro desse quadro. Não conheço nenhuma ciência que tenha o amor como objeto. "

(Paulo Leminski - Poesia: a paixão da linguagem)

Domingo, 21 de Setembro de 2008

ego


















De volta.
Publico hoje um presente que ganhei do poeta londrinense Nelson Capucho.
Um poema em seu último livro "Tropicorientao" (atritoart, 2007).
Uma forma de agradecer é também publicar carinhosamente aqui.



Estrada vermelha
Em alta voz repete as seis virtudes:
maritacas zombam no bambuzal.


(para karen debértolis)

* imagem capturada no google images e encontrada no link bp1.blogger.com/.../RSz1zq2lCjA/s320/Bambus.jpg

Sábado, 2 de Agosto de 2008

Eu recomendo


Noisette estréia Acaso na Bélgica

O grupo Noisette, que é comandado pela atriz brasileira Fernanda Coelho, fez sua estréia do último espetáculo Acaso, na cidade da Antuérpia. A peça é baseada nos hai-kais da escritora paulista Renata Machado. O material gráfico é uma criação do escritório de design Visualitá, de Londrina. Quem passar pela Bélgica por estes meses poderá conferir. Por enquanto, a gente aguarda a vinda da montagem ao Brasil. Confira o trabalho do grupo no site www.gruponoisette.blogspot.com.

Os lançamentos de Luci Collin


Terminei a leitura dos dois últimos livros da escritora curitibana Luci Collin que foram publicados pela Travessa dos Editores. Os contos de "Vozes num Divertimento" são ótimos e, muitas vezes, hilários. Há muito tempo não fazia uma leitura tão agradável e me deparava com textos que instigam o leitor. Outra publicação é o livro "Contos Irlandeses" em que a autora faz a tradução de textos de vários escritores como James Joyce , Somerville & Ross, Bram Stoker e W. B. Yeats. Um passeio pela principal produção de autores no gênero da Irlanda dos anos 20 do século passado. Vale a pena comprar e conferir o trabalho. Acesse: www.travessadoseditores.com.br. E boa leitura!

Sábado, 26 de Julho de 2008

Prateleira

Foto de Alba Luna - site Olhares

"Os anjos de Swedenborg são as almas que escolheram o céu. Podem prescindir de palavras; basta que um anjo pense em outro para tê-lo junto de si. Duas pessoas que se amaram na Terra formam um só anjo. Seu mundo é governado pelo amor; cada anjo é um céu. Sua forma é a de um ser humano perfeito; a do céu também é. "

os anjos de swedenborg - d' "o livro dos seres imaginários" de jorge luis borges
(presente do meu amigo jornalista Luciano Pascoal)


Terça-feira, 15 de Julho de 2008

Novidades 2

René Magritte - Le modele rouge / capturada no google images


Ignorância

Com um punhado
De nãos
Você construiu
Um castelo
Para se enclausurar

Diante do fosso e do portão
A conclusão
De que
Nunca
Vou entrar

A sua impaciência
A sua intolerância
A sua negligência
Só vão lhe destruir

A um passo da indecência
A sua impertinência
Vai fazer o que
Construiu,
Ruir

Daqui deste lado
O meu samba dilacerado
Só lamenta,
Olha
E ri

(2007)

Quinta-feira, 10 de Julho de 2008

Caixa de memória

Recortes

Eu vi muitos dias de tempestade. Ventos que dobravam árvores. Um pouco desta violência dos ventos também fazia dobrarem-se árvores dentro de mim.
Quando cheguei naquela cidade, mala na mão, andando atrás do marido, quase chorei. A casa ficava praticamente onde acabava o que chamavam de cidade. Depois só café mato e árvores que se perdiam de vista na baixada.
As pessoas me olhavam com desconfiança. Uma moça nova, eu tinha apenas 20 anos, perdida naquele lugar com um homem que eu mal conhecia. O tempo era depois da guerra. A maioria das pessoas ainda olhavam com suspeita os alemães e italianos que moravam ali.
Corria `a boca pequena na família que meu cunhado guardava bem escondido um grande quadro de Mussolini. A minha história poderia ser de muitas outras daquela época. Mas eu a confesso aqui neste diário porque é eminentemente minha. Como aquele álbum de couro no qual guardo as fotos presas com cantoneiras bordôs de papel.

Trecho de Caixa de Memória - work in progress (2008)