quarta-feira, 19 de agosto de 2009

amor

Futuros Amantes

Chico Buarque

Não se afobe, não
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio
Num fundo de armário
Na posta-restante
Milênios, milênios
No ar

E quem sabe, então
O Rio será
Alguma cidade submersa
Os escafandristas virão
Explorar sua casa
Seu quarto, suas coisas
Sua alma, desvãos

Sábios em vão
Tentarão decifrar
O eco de antigas palavras
Fragmentos de cartas, poemas
Mentiras, retratos
Vestígios de estranha civilização

Não se afobe, não
Que nada é pra já
Amores serão sempre amáveis
Futuros amantes, quiçá
Se amarão sem saber
Com o amor que eu um dia
Deixei pra você


Um comentário:

Neuzza Pinhero disse...

que bonito...salve Chico sempre, Karen!
Fiquei envolvida com minha mãe, o cachorro dela, doentinho, o jardim,
o prazer se estar ali, no acolhimento...e a dor de vê-la tão frágil e ao mesmo tempo tão vital, tão menina com suas histórias que nos conta até hoje.
um beijo, poeta!
saudade, viu